A RUA VINTE E CINCO DE MARÇO E SUA HISTÓRIA.
A RUA
A rua que se formou margeando o rio foi conhecida inicialmente por Rua da Várzea do Glicério e depois por Rua das Sete Voltas. Ao final do século, o rio foi retificado e a área da Várzea do Carmo foi drenada. Desenvolveram-se chácaras e veio a urbanização. A rua foi demarcada e recebeu outro nome, Rua de Baixo (ou Baixa da São Bento) e dividia a cidade em cidade Alta e cidade Baixa. A cidade Alta era aquela que ficava além dos contrafortes do mosteiro de São Bento ( Rua Boa Vista, Rua São Bento, Rua Florêncio de Abreu, etc).
Até esse período o comércio era realizado pelos primeiros imigrantes árabes na Rua Florêncio de Abreu. Com a urbanização, que houve após a retificação do Tamanduateí, os aluguéis foram ficando mais caros e os novos imigrantes e comerciantes vieram para a Rua de Baixo, cujos preços eram mais acessíveis. O rio passou a ter enorme importância comercial. A Light instalou os primeiros bondes, um que ia do Largo do Tesouro à Ponte Grande ( onde hoje é o Clube Tietê), contornava e voltava, e, outro que descia pela Ladeira General Carneiro, seguia pela Rua da Cantareira, Rua São Caetano, Rua Oriente, Avenida Celso Garcia até a Penha.
O RIO
O leito do rio Tamanduateí, então navegável, corria no atual traçado da Rua Vinte e Cinco de Março, recebia as águas do rio Anhangabaú e desaguava no rio Tietê. Ali existia ao final do século passado, um porto que servia de escoadouro para as mercadorias importadas que chegavam do Ipiranga, que por sua vez recebia as importações vindas de Santos.
AS SETE VOLTAS
De curvas afuniladas e estreitas, o rio Tamanduateí dava um toque pitoresco à paisagem, pois fazia a primeira volta onde atualmente é a Rua do Glicério, a Segunda e terceira à altura do pontilhão da Rangel Pestana ( observe que curioso, por este pontilhão passavam os bondes puxados a burro), a Quarta, Quinta e Sexta voltas na altura do Parque D. Pedro II e a última e sétima volta terminava na Ladeira Porto Geral, cujo nome deveu-se ao fato do nome do porto onde se fazia o desembarque das mercadorias ser Porto Geral.
VINTE E CINCO DE MARÇO
A rua passou a ser conhecida como Vinte e Cinco de Março, recebendo esta denominação no princípio do século, em homenagem a data da promulgação da primeira Constituição Brasileira, que se deu em 25 de Março de 1824, pelo Imperador D. Pedro I.
Tornar-se então um centro de importação e distribuição de porcelanas japonesas e chinesas, cutelaria alemã, rendas suíças e francesas, casemira inglesa e outros produtos importados, assim continuando até que a Indústria nacional se firmasse.
Após a Revolução de 1930, consolidou-se a indústria nacional e a Rua Vinte Cinco de Março passou então a ser o grande centro de atacado e varejo de tecidos, vestuários e armarinhos. Culminou por ser a região de maior volume de arrecadação, dentre os centros comerciais, de tributos estaduais e municipais.
Hoje esse poderoso centro comercial é constituído por três mil empresas, sendo trezentas a rés do chão ( lojas de rua) e duas mil e setecentas nos diversos edifícios, galerias e ruas adjacentes.
Todos nós paulistanos podemos nos orgulhar por esse centro ser considerado “O Maior Shopping a céu aberto da América Latina.” |